Resposta curta

Comece a árvore genealógica de uma dinastia pelas regras de sucessão e de herança e depois acrescente só as pessoas cujas pretensões, casamentos ou exclusões a história exige. Decida quem tem autoridade para decidir sobre um casamento, um nascimento ou uma adoção e deixe pelo menos um ponto que as regras não resolvam de forma limpa, porque é daí que vêm as pretensões rivais. Registre nascimentos, casamentos, mortes e sucessões num único calendário e, sempre que mudar uma data, confira de novo cada idade em cada evento importante.

Uma árvore genealógica desenhada como enfeite dá a você nomes ligados por linhas. Uma árvore genealógica desenhada em torno de uma regra de sucessão dá a você pessoas com motivos para se casar umas com as outras, deserdar umas às outras ou desejar a morte umas das outras. A diferença está na ordem das decisões: primeiro as regras, depois as pessoas que essas regras transformam em pretendentes.

O exemplo acompanha a Casa Tarne, uma família inventada que detém o senhorio de uma cidade murada chamada Esk. Os anos seguem a contagem da própria cidade. Nada aqui descreve uma dinastia real.

Escolha primeiro a regra de sucessão#

Antes de dar nome a qualquer pessoa, decida como o título passa adiante quando o seu detentor morre. Dinastias reais usaram muitos padrões, entre eles a herança pelo primogênito, a preferência pelos filhos homens, um herdeiro nomeado pelo detentor e a eleição entre parentes elegíveis. Escolha um para a sua casa e depois procure o ponto em que ele deixa espaço para discussão. É nessa brecha que a sua trama vive.

RegraQuem herdaA discussão que provoca
Filho mais velhoO primogênito do detentorSe um nascimento ou um casamento foi válido
Filhos homens primeiroO filho homem mais velho, depois as filhasPretensões por meio das filhas e dos maridos delas
Herdeiro nomeadoQuem o detentor escolher dentro da famíliaQuem testemunhou a nomeação e se ela mudou
Eleição familiarUm conselho escolhe entre os parentes elegíveisQuem tem assento no conselho e quanto custa cada voto

A Casa Tarne usa a primeira regra, inscrita na carta da cidade: o senhorio passa para “o filho legítimo mais velho da casa”. Duas partes dessa frase estão em aberto. Ninguém concorda se “legítimo” exige um casamento reconhecido pelo templo, nem se “filho da casa” inclui um filho adotado por ato formal.

Depois, decida quem resolve uma disputa. Em Esk, o templo decide sobre os casamentos e o conselho das guildas confirma cada novo senhor. Duas instituições com interesses diferentes dão a cada pretendente duas portas onde bater.

Separe o título dos bens#

Quem herda o assento não precisa herdar tudo. Decida separadamente o que acontece com terras, dinheiro, cargos e bens pessoais. Separá-los dá aos pretendentes derrotados algo com que lutar.

Em Esk, o senhorio vai para um único herdeiro, mas os bens particulares seguem o testamento do detentor. Aldric Tarne deixou os moinhos da cidade para Bram, o filho que teve fora do casamento. Bram nunca poderá ter o título, mas agora controla a farinha da cidade, e qualquer pretendente que queira o assento precisa da boa vontade dele.

Decida também o que fica com o cônjuge sobrevivente. Uma viúva com terras próprias e um filho adulto é uma força na cidade, reivindique ela alguma coisa ou não.

Desenhe os pretendentes vivos, depois os pais deles#

Comece pelas pessoas vivas no momento em que a história precisa da árvore, em geral quando o título está em disputa. Acrescente os pais e os casamentos que explicam cada pretensão. Pare quando mais uma geração não mudaria o argumento de ninguém. A maioria dos romances precisa da geração atual e de duas acima dela.

A Casa Tarne quando Aldric morre, em 309:

  • Aldric Tarne (241–309), senhor de Esk.
  • Ilse Varrow, a primeira esposa, casou-se em 262 e morreu em 270. A filha deles, Maud, nasceu em 264.
  • Corisande, a segunda esposa, nascida em 256, casou-se em 274. O filho deles, Edric, nasceu em 276.
  • Bram, nascido em 261 da filha de um moleiro antes do primeiro casamento de Aldric, criado na casa.
  • Wren, nascida em 287, filha órfã de um aliado, adotada por ato formal em 290.
  • Osric (244–298), irmão mais novo de Aldric e fundador do ramo oriental. O neto dele, Piers, nasceu em 285.

Nove nomes em três gerações. Seis deles sobrevivem a Aldric, e cada um tem algo em jogo.

Dê um preço a cada casamento#

Um casamento dinástico une duas famílias, as suas dívidas e os seus soldados. Para cada um, registre o que cada lado ganhou, o que foi prometido e quem apoia os filhos agora. A mãe de Maud era uma Varrow, e os Varrow controlam os fortes do rio. A mãe de Edric, Corisande, está viva e é parente de metade do conselho das guildas. Meios-irmãos com famílias maternas diferentes por trás costumam ser um motor mais forte do que qualquer rivalidade pessoal.

Decida quem conta como família#

Legitimidade e adoção são decisões tomadas por alguém com autoridade para tomá-las. Decisões podem ser contestadas, revertidas ou mantidas em silêncio. Para cada pessoa na borda da árvore, decida quem tomou a decisão, quem conhece a história completa e o que poderia derrubá-la.

Aldric se casou com Ilse em 262, um ano em que o templo tinha suspendido todos os casamentos em Esk durante uma briga com o senhor. O templo reconheceu o casamento depois; os apoiadores de Edric agora dizem que o reconhecimento foi comprado. Se esse argumento vencer, Maud não é mais legítima do que Bram.

O ato de adoção de Wren a declara “filho da casa”, com as mesmas palavras da carta. Ninguém imaginou que a expressão fosse importar quando o ato foi redigido, e é assim que uma protegida vira pretendente.

Marque cada relação nas suas notas privadas como pública, contestada ou secreta. A filiação de Bram é pública. O casamento de Ilse é contestado. Se você decidir que um nascimento não é o que a família afirma, marque-o como secreto e liste todos que sabem.

Alinhe as pretensões rivais#

Um ramo secundário, descendente de um irmão mais novo, espera que a linha principal se extinga ou se divida. Dê a ele um ressentimento, além de uma pretensão: terras perdidas, um casamento recusado, uma antiga ofensa. Osric recebeu as propriedades do leste em vez de uma parte da cidade, e a linhagem dele diz há quarenta anos que ele foi lesado.

Com as regras e as decisões no lugar, a crise na morte de Aldric, em 309, se organiza sozinha:

PretendenteArgumentoPonto fracoApoiadores
Maud, 45Primogênita de um casamento reconhecidoO casamento aconteceu durante a suspensãoOs Varrow e os seus fortes
Edric, 33Nascido de um casamento incontestadoÉ mais novo, e a facção da mãe dele desperta ressentimentoCorisande e boa parte do conselho das guildas
Wren, 22O ato de adoção usa as palavras da cartaPoucos acreditam que a carta se referisse a elaQuem quer um senhor fácil de conduzir
Piers, 24Um Tarne sem ligação com a facção de nenhuma das mãesA linha principal ainda tem filhos vivosAs propriedades do leste e quem está cansado das duas facções

Bram não aparece em nenhuma linha e talvez seja quem mais importa. Quem ele favorecer poderá alimentar a cidade num inverno difícil; quem ele recusar, não.

Confira cada idade num único calendário#

Os erros de dinastia costumam ser de aritmética. Ponha todos os nascimentos, casamentos, mortes e sucessões num único calendário e calcule as idades em cada evento que a história usa. O guia sobre como criar uma linha do tempo fictícia trata de como acompanhar os eventos e o que cada personagem sabe. Para uma árvore genealógica, acrescente estas verificações:

  • A idade dos pais em cada nascimento. Um pai ou uma mãe muito jovem ou muito velho precisa de um motivo na história.
  • A idade do herdeiro na sucessão. Um herdeiro criança precisa de um regente, e o regente vira personagem.
  • O intervalo entre irmãos, sobretudo entre meios-irmãos de casamentos diferentes.
  • Memória. Quem se lembra de um evento precisa ter tido idade para lembrar.

Em 309, Aldric morre aos 68 anos. Maud tem 45, Bram 48, Edric 33, Piers 24 e Wren 22. Corisande se casou aos 18 e teve Edric aos 20. Nada quebra. Se Aldric tivesse morrido em 285, porém, Edric teria nove anos, e a história precisaria de um regente, provavelmente a mãe dele.

O que se move quando uma data se move#

Suponha que um capítulo posterior precise da suspensão do templo em 265, e você mova o casamento para lá também. Maud, nascida em 264, agora chega um ano antes de os pais se casarem. Se um casamento posterior torna legítimo um filho nascido antes é uma regra que você ainda não decidiu. Decida agora. Se não torna, Maud não tem pretensão e a crise perde a pretendente mais velha; se torna, a pretensão dela passa a depender de duas decisões contestadas em vez de uma. Uma única data movida mudou a crise, então faça a mudança de propósito e percorra de novo cada linha da tabela de pretensões.

Erros comuns e como corrigi-los#

As regras se dobram quando a trama precisa#

Uma cláusula da carta que ninguém mencionou aparece no último ato e resolve a sucessão. Ponha a ambiguidade na página cedo, numa discussão que ainda não importa, para que o leitor a reconheça quando ela finalmente importar.

Os nomes se confundem entre gerações#

As famílias reutilizam nomes, e os nomes em “-ric” da Casa Tarne são um hábito deliberado. Aldric e Edric na mesma página vão se confundir mesmo assim. Dê a um deles um epíteto, como “o velho senhor” nos capítulos de Edric, e reserve os nomes repetidos às pessoas de que a trama precisa.

Mortes que só servem para abrir caminho#

Herdeiros que morrem na hora certa fazem a árvore parecer armada. Faça cada morte criar um novo problema: uma regência, as terras de uma viúva, uma aliança sem ninguém disponível para casar.

Ajuste a árvore à extensão e ao ponto de vista#

Como ponto de partida editorial:

Formato da históriaDesenhe por inteiroMantenha só em esboço
ContoO detentor, dois pretendentes e a única regra que eles disputamGerações anteriores e ramos secundários
RomanceTrês gerações, cada casamento que sustenta uma pretensão e um ramo rivalPrimos distantes e as brigas internas do ramo
SérieA árvore como está no início de cada livro, com nascimentos e mortes planejadosGerações que nenhum livro visita

O ponto de vista decide qual árvore o leitor vê. Os capítulos de Maud chamam Ilse de “minha mãe”; os de Edric, de “a primeira esposa”. Um criado que testemunhou o casamento pode saber mais do que qualquer um dos pretendentes.

Se você imprimir uma árvore genealógica para os leitores, imprima a versão pública, a árvore em que a cidade acredita. Guarde as ligações contestadas e secretas na sua versão privada até que a história as revele, ou o apêndice vai entregar a trama.

Desenhe a dinastia no Yazar.io#

A árvore genealógica do Yazar.io combina de verdade com esse trabalho. Você desenha as gerações de uma dinastia arrastando e soltando e pode reconectar qualquer ramo depois, algo de que uma revisão precisa quando uma decisão aproxima Wren ou Bram da linha principal (recursos). As relações disponíveis são mãe, pai, filho, cônjuge e irmão, então registre os atos de adoção e os casamentos contestados nas fichas dos personagens. Mencione a Casa Tarne na ficha de cada membro e ela se liga sozinha à página da casa em Organizações, cujo painel de backlinks passa a listar a família. A Árvore genealógica está incluída no plano gratuito (preços).

Para conferir as idades, acrescente nascimentos, mortes e sucessões à Cronologia e ligue cada evento aos personagens envolvidos; a página de cada personagem passa então a listar esses eventos na ordem da Cronologia (novidades). As datas são texto livre, como “Ano 309”, e o Yazar.io não calcula idades, então a aritmética continua com você. Se você compartilhar o mundo como uma wiki somente leitura, pode publicar a árvore genealógica ou deixá-la de fora, e as Notas nunca são compartilhadas, enquanto a Cronologia fica desligada até você publicá-la (wiki, novidades).

Fontes